Terça-feira, Março 01, 2005
AS PUTINHAS
Brasília, 1 de março de 2005
Néstor Kirchner
Ricardo Lagos
Luís Inácio Lula da Silva
Lucio Gutiérrez
Vocês são os presidentes democraticamente eleitos da argentina, do chile, do brasil e do equador. Todos, talvez com exceção do chileno, foram eleitos por se apresentarem como alternativa à globalização de cartilha, aquela recomendada pelo fmi e pelas universidades americanas. Alternativas à globalização ditada pelas grandes corporações, que manda os países "em desenvolvimento" abrirem as pernas. Será? Será?
A situação chilena é a mais confortável: o chile, se não me engano, tem os melhores indicadores sociais e de qualidade de vida da américa latina. Alguns dizem que foi a experiência neoliberal espetada no país pelo pinochet. Outros dizem que o padrão chileno vem justamente das políticas sonhadas por allende, implantadas pelo comandante, justamente quando se percebeu que esse tal de neoliberalismo estava levando o chile à falência. Então pinochet mandou desfazer tudo: mandou reprivatizar as minas do país etc. O chile hoje controla a entrada e saída de capitais especulativos, salvo engano meu. Não segue a cartilha ortodoxa. E tem a situação confortável.
A argentina: ela seguiu a cartilha direitinho, e até fazia troça do brasil. E se fodeu. Daí o descrédito na economia e na política do país. Então veio kirchner, meio que de banda, e entrou, como o restaurador da ordem, decretou moratória e os argentinos devem ter ficado orgulhosos disso. Aliás, o fmi também, já que nem chiou muito. Parece que a moratória vai acabar. Eu pessoalmente acho que vão abrir as pernas de novo, consultando a cartilha.
No brasil e no equador, os presidentes já são chamados de traidores por aqueles que os elegeram. Ignoraram todo aquele discurso esquerdista que os elegeu e estão aí de pernas abertas, implantando políticas que não contribuem para o desenvolvimento, que eles agora preferem chamar de progressistas. Os magnatas acham lindo tudo isso.
Todos foram eleitos democraticamente. Eu acho que são as meninas dos olhos do fmi.
Agora: tem o chávez. Não lembro de ele ter dito alguma vez que era socialista ou comunista. Não lembro nem de ele ter dito que era de esquerda. Inventou algo relacionado à independência, talvez à liberdade, chamado bolivarianismo. Restaurou as instituições do país e parece ser bem coerente com o que sempre disse. Os inventores da cartilha não acham ele democrático. Nem a mídia comprada venezuelana. Muito embora desses presidentes que listei ele tenha tido a maior votação proporcional, até onde me lembro. Legal esse bolivarianismo, esse lance de você ter liberade e independência pra seguir caminhos que você não comprou ou importou, pra seguir caminhos que você criou. Um governo que, mesmo boicotado pela elite (que os populares chamam de loiros), continua com amplo apoio popular e legitimidade pras suas políticas de inclusão social, voltadas para os excluídos (que os loiros chamam de macacos). Uma democracia de um jeito novo e único, sempre chamada de antidemocrática pelo gigante do norte. Uma política que ousa contrariar a elite e/ou (e/ou?) seus interesses preconceituosos e antigos. Isso é uma atitude de vanguarda na américa latina. Ah, cuba já fez isso, vocês podem falar. Sim, mas cuba é uma ditadura e é um estado socialista. E quanto ao "e/ou" que coloquei acima, é porque entendo que as políticas elaboradas na venezuela atingem mais um modo de pensar de uma elite antiga do que a própria existência dessa elite. A visão é a de que é preciso modernizar a elite para capacitá-la a desempenhar um papel no desenvolvimento um país.
Hoje eu associo "bolivarianismo" com "coragem". E "onda vermelha" com "putinha".
OPS!1. Algumas informações que eu escrevi podem estar erradas, embora eu quase tenha certeza que não, ou podem estar desatualizadas (eu acredito que sim). Com certeza o bolivarianismo, até por ser algo muito novo, tem e vai ter dificuldades estruturais, mas eu louvo a idéia. E por último: não sou contra globalização nem neoliberalismo: só acho que existem formas e mais formas de gerenciá-los e que cada país tem que ter a coragem de exigir o direito de encontrar uma que se adeque à sua realidade.
OPS!2.Tenho alguma esperança nesse novo presidente do uruguai, tabaré vásquez. Mas ainda assim espero ansiosamente pelo evo morales na bolívia.
QUE BESA SUS MANOS
Brasília, 1 de março de 2005
Néstor Kirchner
Ricardo Lagos
Luís Inácio Lula da Silva
Lucio Gutiérrez
Vocês são os presidentes democraticamente eleitos da argentina, do chile, do brasil e do equador. Todos, talvez com exceção do chileno, foram eleitos por se apresentarem como alternativa à globalização de cartilha, aquela recomendada pelo fmi e pelas universidades americanas. Alternativas à globalização ditada pelas grandes corporações, que manda os países "em desenvolvimento" abrirem as pernas. Será? Será?
A situação chilena é a mais confortável: o chile, se não me engano, tem os melhores indicadores sociais e de qualidade de vida da américa latina. Alguns dizem que foi a experiência neoliberal espetada no país pelo pinochet. Outros dizem que o padrão chileno vem justamente das políticas sonhadas por allende, implantadas pelo comandante, justamente quando se percebeu que esse tal de neoliberalismo estava levando o chile à falência. Então pinochet mandou desfazer tudo: mandou reprivatizar as minas do país etc. O chile hoje controla a entrada e saída de capitais especulativos, salvo engano meu. Não segue a cartilha ortodoxa. E tem a situação confortável.
A argentina: ela seguiu a cartilha direitinho, e até fazia troça do brasil. E se fodeu. Daí o descrédito na economia e na política do país. Então veio kirchner, meio que de banda, e entrou, como o restaurador da ordem, decretou moratória e os argentinos devem ter ficado orgulhosos disso. Aliás, o fmi também, já que nem chiou muito. Parece que a moratória vai acabar. Eu pessoalmente acho que vão abrir as pernas de novo, consultando a cartilha.
No brasil e no equador, os presidentes já são chamados de traidores por aqueles que os elegeram. Ignoraram todo aquele discurso esquerdista que os elegeu e estão aí de pernas abertas, implantando políticas que não contribuem para o desenvolvimento, que eles agora preferem chamar de progressistas. Os magnatas acham lindo tudo isso.
Todos foram eleitos democraticamente. Eu acho que são as meninas dos olhos do fmi.
Agora: tem o chávez. Não lembro de ele ter dito alguma vez que era socialista ou comunista. Não lembro nem de ele ter dito que era de esquerda. Inventou algo relacionado à independência, talvez à liberdade, chamado bolivarianismo. Restaurou as instituições do país e parece ser bem coerente com o que sempre disse. Os inventores da cartilha não acham ele democrático. Nem a mídia comprada venezuelana. Muito embora desses presidentes que listei ele tenha tido a maior votação proporcional, até onde me lembro. Legal esse bolivarianismo, esse lance de você ter liberade e independência pra seguir caminhos que você não comprou ou importou, pra seguir caminhos que você criou. Um governo que, mesmo boicotado pela elite (que os populares chamam de loiros), continua com amplo apoio popular e legitimidade pras suas políticas de inclusão social, voltadas para os excluídos (que os loiros chamam de macacos). Uma democracia de um jeito novo e único, sempre chamada de antidemocrática pelo gigante do norte. Uma política que ousa contrariar a elite e/ou (e/ou?) seus interesses preconceituosos e antigos. Isso é uma atitude de vanguarda na américa latina. Ah, cuba já fez isso, vocês podem falar. Sim, mas cuba é uma ditadura e é um estado socialista. E quanto ao "e/ou" que coloquei acima, é porque entendo que as políticas elaboradas na venezuela atingem mais um modo de pensar de uma elite antiga do que a própria existência dessa elite. A visão é a de que é preciso modernizar a elite para capacitá-la a desempenhar um papel no desenvolvimento um país.
Hoje eu associo "bolivarianismo" com "coragem". E "onda vermelha" com "putinha".
OPS!1. Algumas informações que eu escrevi podem estar erradas, embora eu quase tenha certeza que não, ou podem estar desatualizadas (eu acredito que sim). Com certeza o bolivarianismo, até por ser algo muito novo, tem e vai ter dificuldades estruturais, mas eu louvo a idéia. E por último: não sou contra globalização nem neoliberalismo: só acho que existem formas e mais formas de gerenciá-los e que cada país tem que ter a coragem de exigir o direito de encontrar uma que se adeque à sua realidade.
OPS!2.Tenho alguma esperança nesse novo presidente do uruguai, tabaré vásquez. Mas ainda assim espero ansiosamente pelo evo morales na bolívia.
QUE BESA SUS MANOS
