Sábado, Novembro 30, 2002

LA BEBIDA




les presento el mojito

Quarta-feira, Novembro 27, 2002

"NEGUINHO ACHA QUE TÁ CERTO"



Para exemplificar.
Trabalhei por quase dois anos num banco e dentre os meus colegas, mais de 15, apenas um era pardo (e bahiano). Entre os clientes, os mais pobres (pobres de verdade, trabalhando por um salário mínimo) eram em maioria negros, e os ricos, funcionários de um órgão público do executivo federal, em absoluto brancos.
Posso ir a uma aula com 80 alunos numa universidade pública e notar que nenhum é negro. Nossa população negra que tem acesso a curso superior é inferior à estadunidense, que não tem em sua população mais que 20% de negros. O brasil é metade negro ou pardo.

Muitos cabeçudos pensam que irão resolver a chamada questão racial do brasil instituindo as cotas raciais para acesso à universidade. Alguns problemas:
1. Certamente as cotas não cobririam todos os negros do brasil, sendo, portanto, ineficazes na tentativa de integrar socialmente o negro em nossa sociedade (tenha-se em mente que a inclusão social é a forma imaginada de acabar com a disntinção entre os negros e pardos e os brancos e instaurar de fato um ambiente de democracia racial).
2. Para piorar, as cotas raciais em universidades representam um projeto de médio a longo prazo. Se estivermos com os pés no chão estaremos sabendo que nem todos que se formam encontram emprego em sua área. Imaginemos então um negro formado na primeira turma após a adoção do sistema de cotas raciais. Sendo o projeto, como acima mencionado, a longo prazo, para este negro será mais difícil arrumar um emprego do que para um branco formado na mesma turma, seja pelo preconceito secular já instalado em nossa cultura, seja pela reação que a própria adoção do sistema de cotas podeerá causar nos setores conservadores/brancos da sociedade.

Então, é de se esperar que o proposto, mesmo que assuma o nome de cota social para pobres (ainda assim abrangendo muitos negros) não dê certo. O que causaria efeito, então?
Na verdade a temática racial no brasil nos últimos tempos se aprofundou na discussão sobre cotas raciais para negros nas universidades, enquanto que o mais correto (acredito eu) seria conscientizar a população da desigualdade racial brasileira, por meio do estado e da própria sociedade civil organizada, tirando o foco da universidade para adoção de um sistema de cotas que atinja também as políticas sociais (como por exemplo a reforma agrária ou simplesmente a criação de um órgão que faça as empresas privadas e públicas empregarem um mínimo de negros).
A coisa ainda precisa ser muito discutida, portanto, para que a simples adoção de uma ação específica não se torne motivo de uma efetiva vitória, mas sim o primeiro passo de uma série de reivindicações atendidas.

Paz.

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