Sexta-feira, Agosto 09, 2002
uma coisa que eu escrevi e já tinha esquecido, esquecida no meu computador, que achei interessante para colocar aqui:
são paulo
Cheguei aqui pensando que a chuva cairia hoje e nada. Não sei se me demoro aqui por mais alguns dias. Vamos ver o que acontece. Tudo aqui me parece muito estranho, desde o cinza que se estende sobre os edifícios no fim de tarde até o bando de loucos da bolsa com a gravata jogada para trás tomando chops com pastel. Fiz uma lista de coisas que não vi: não vi um menino de camiseta vermelha com estampa do che em figura chapada, não vi um senhor velho e enfiado em trajes de couro vendendo literatura de cordel, não vi o adificio arto sobre o túmulo de uma saudosa maloca, não vi um menino de rua, vítima das circunstâncias, roubar a bolsa de uma dondoca.
Tudo me pareceu um pouco confuso e eu fico imaginando se é assim sempre por aqui. Pessoas malucas às quais basta um estalo para se equipararem em majestade a charles manson ou ao bandido da luz vermelha, aliás, filho do mesmo ventre brasileiro que gerou o menino-pivete-ladrão que não vi. Afogado nessa imensidão de pensamentos frouxos, comecei a listar as coisas que vi: vi uma imensidão louca na estação sé, que retratava tão bem minha lucidez entre pensamentos. Pessoas se empurrando, escadas rolantes lotadas, guspes voando lá de cima, vendedores de capinhas para celulares e outras coisas. Pessoas perfumadas e tentando exibir uma imagem de luxo numa estação de metrô abafada e malcheirosa. Pessoas invejosas e pessoas alheias a tudo. Eu.
Uma coisa que não vi: a chuva.
são paulo
Cheguei aqui pensando que a chuva cairia hoje e nada. Não sei se me demoro aqui por mais alguns dias. Vamos ver o que acontece. Tudo aqui me parece muito estranho, desde o cinza que se estende sobre os edifícios no fim de tarde até o bando de loucos da bolsa com a gravata jogada para trás tomando chops com pastel. Fiz uma lista de coisas que não vi: não vi um menino de camiseta vermelha com estampa do che em figura chapada, não vi um senhor velho e enfiado em trajes de couro vendendo literatura de cordel, não vi o adificio arto sobre o túmulo de uma saudosa maloca, não vi um menino de rua, vítima das circunstâncias, roubar a bolsa de uma dondoca.
Tudo me pareceu um pouco confuso e eu fico imaginando se é assim sempre por aqui. Pessoas malucas às quais basta um estalo para se equipararem em majestade a charles manson ou ao bandido da luz vermelha, aliás, filho do mesmo ventre brasileiro que gerou o menino-pivete-ladrão que não vi. Afogado nessa imensidão de pensamentos frouxos, comecei a listar as coisas que vi: vi uma imensidão louca na estação sé, que retratava tão bem minha lucidez entre pensamentos. Pessoas se empurrando, escadas rolantes lotadas, guspes voando lá de cima, vendedores de capinhas para celulares e outras coisas. Pessoas perfumadas e tentando exibir uma imagem de luxo numa estação de metrô abafada e malcheirosa. Pessoas invejosas e pessoas alheias a tudo. Eu.
Uma coisa que não vi: a chuva.
Quinta-feira, Agosto 08, 2002
MÚSICA E ALEATÓRIO
Eu sei que ninguém vai ler isso.
A música erudita fugiu do sistema tonal desde muito tempo atrás. Começou com wagner ou debussy, encorpou em shöenberg essa história de "abolir" o sistema tonal. Ok, aboliu-se, criou-se o dodecafonismo. Mas, embora tenhamos entre os dodecafonistas compositores realmente interessantes, como webern, messiaen e almeida prado, o que foi a música do século vinte? O dodecafonismo em si e as coisas que devem a existência a ele (é o caso do microtonalismo e da música eletroacústica) sempre parecem, às pessoas que gostam de música, mais um falatório do que música: o valor da obra não é a obra em si, mas o que se diz dela (a grande sacada da arte moderna/contemporânea). É como se os compositores não conseguissem mais compor e fizessem qualquer coisa e tentassem justificar depois. Em outras palavras: picaretagem. Voltemos à questão primeira: o que foi a música do século vinte? Claro que foi o jazz, e numa visão mais detalhada, não só o jazz como também o surgimento de vários estilos, como o choro no brasil e o tango na argentina. Formas musicais que "inspiraram" outros grandes compositores, por sinal muito mais lembrados do que os citados acima: villa-lobos, piazzolla, gershwin. Isso é uma valorização do nacional, do cultural, refletida na música. Mais um?, que tal ravi shankar, que compõe peças para orquestra? São nomes muito mais lembrados que os outros, por um único motivo: são audíveis. Esmiuçando um pouco vamos encontrar que o que os faz audíveis é a carga cultural que faz parte da música, aliada ao caráter de evolução e não de ruptura.
Pois, ao contrário do que teimam em dizer, a estética musical do século vinte (em termos de música so-called erudita) não é o dodecafonismo, o eletroacústico, o aleatório... é, simplesmente, a mesma estética que vem vigorando há séculos: apropriação de material folclórico (que, vejam bem, não se esgotou) transliterado para orquestra ( como exemplo, além de villa-lobos, gershwin e piazzolla, podemos colocar chopin, lizst, grieg e inúmeros outros...). Portanto não se surpreendam quando aparecerem óperas eruditas cantadas no estilo dos negro spirituals americanos ou dos cantos do candomblé brasileiro, ou das melodias intermináveis indonésias.... Não se surpreendam quando houver óperas faladas como rap ou sussurradas como britney ou spice girls. Será lindo e audível.
PAZ. :)
Eu sei que ninguém vai ler isso.
A música erudita fugiu do sistema tonal desde muito tempo atrás. Começou com wagner ou debussy, encorpou em shöenberg essa história de "abolir" o sistema tonal. Ok, aboliu-se, criou-se o dodecafonismo. Mas, embora tenhamos entre os dodecafonistas compositores realmente interessantes, como webern, messiaen e almeida prado, o que foi a música do século vinte? O dodecafonismo em si e as coisas que devem a existência a ele (é o caso do microtonalismo e da música eletroacústica) sempre parecem, às pessoas que gostam de música, mais um falatório do que música: o valor da obra não é a obra em si, mas o que se diz dela (a grande sacada da arte moderna/contemporânea). É como se os compositores não conseguissem mais compor e fizessem qualquer coisa e tentassem justificar depois. Em outras palavras: picaretagem. Voltemos à questão primeira: o que foi a música do século vinte? Claro que foi o jazz, e numa visão mais detalhada, não só o jazz como também o surgimento de vários estilos, como o choro no brasil e o tango na argentina. Formas musicais que "inspiraram" outros grandes compositores, por sinal muito mais lembrados do que os citados acima: villa-lobos, piazzolla, gershwin. Isso é uma valorização do nacional, do cultural, refletida na música. Mais um?, que tal ravi shankar, que compõe peças para orquestra? São nomes muito mais lembrados que os outros, por um único motivo: são audíveis. Esmiuçando um pouco vamos encontrar que o que os faz audíveis é a carga cultural que faz parte da música, aliada ao caráter de evolução e não de ruptura.
Pois, ao contrário do que teimam em dizer, a estética musical do século vinte (em termos de música so-called erudita) não é o dodecafonismo, o eletroacústico, o aleatório... é, simplesmente, a mesma estética que vem vigorando há séculos: apropriação de material folclórico (que, vejam bem, não se esgotou) transliterado para orquestra ( como exemplo, além de villa-lobos, gershwin e piazzolla, podemos colocar chopin, lizst, grieg e inúmeros outros...). Portanto não se surpreendam quando aparecerem óperas eruditas cantadas no estilo dos negro spirituals americanos ou dos cantos do candomblé brasileiro, ou das melodias intermináveis indonésias.... Não se surpreendam quando houver óperas faladas como rap ou sussurradas como britney ou spice girls. Será lindo e audível.
PAZ. :)
maíra, desculpa ter ido embora, eu tava estranha e ia começar a chatear vocês. Foi mal, fofa.
Quarta-feira, Agosto 07, 2002
renato escreveu: "mas sim no acompanhamento (calma maíra, não é nada contigo"
não precisava nem falar, meu amor. eu já saberia que não é comigo :)
primeira aula de inglês dada. divido com vocês. cansada, com sono.
hoje às 19 h: lançamento do livro do Caetano Araújo (meu candidato a federal) no Armazém do Ferreira, na 202 norte. É um livros que contém crônicas já sobre as eleições de 2002, e algumas tirinhas do Gougon. quem estiver a fim de dar uma força, passa lá!!!
beijinhos
não precisava nem falar, meu amor. eu já saberia que não é comigo :)
primeira aula de inglês dada. divido com vocês. cansada, com sono.
hoje às 19 h: lançamento do livro do Caetano Araújo (meu candidato a federal) no Armazém do Ferreira, na 202 norte. É um livros que contém crônicas já sobre as eleições de 2002, e algumas tirinhas do Gougon. quem estiver a fim de dar uma força, passa lá!!!
beijinhos
segundo o professor barry buzan, dependendo de como o seu cérebro estiver condicionado, você pode enxergar o mundo de uma determinada forma ou de outra. ou ainda de várias formas ao mesmo tempo; enxergar de uma só perspectiva não quer dizer que outras estejam erradas.
Terça-feira, Agosto 06, 2002
FEITO ESTIVÉSSEMOS NUM BOTECO

1. O felipão, big phill, ainda não saiu, ao contrário do que eu estava imaginando, do comando da seleção brasileira de futebol. Não sei o quanto isso é bom para o futebol brasileiro. Para o amistoso contra o paraguai, ele escalou exatamente a mesma seleção que ganhou a copa. Onde eu quero chegar?
Esse jogo é só um amistoso e não vale nada; já sabemos que vamos ganhar do paraguai. Como eu disse, o jogo não vale nada nada nada. Mantendo o mesmo time, não estamos priorizando aqueles jogadores que ná próxima copa ou nas olimpíadas não poderão jogar? Acho que seria de bom tom começar desde já a testar novos jogadores já visando o futuro; tocando o foda-se se o técnico será o felipão ou não.
2. Vi um vídeo mostrando a argentina, as manifestações, a renúncia, o estado das cidades... Estamos fascinados com isso e queremos igual? Somos classe média e parece que isso não vai atingir a gente, e sim somente ao grosso do povo. Na argentina tem gente de classe média, jaqueta de couro importada, pedindo esmola nas ruas.
3. A realidade é foda. Fosse eu um presidente e cultura hip hop seria obrigatória nas escolas. Um exemplo de resistência e criatividade dos negros e pobres. Mais que isso, uma aula de realidade brasileira. Sugiro escutar Racionais mc´s, assim de letra maiúscula (que eu não costumo usar nos nomes). Porque o movimento mostra que tem sim gente consciente nos lugares mais inóspitos (e daí a demonização dos rappers e breakers e grafiteiros na grande mídia), gente disposta a mostrar o retrato escondido do brasil, a trilogia suja do abc, e, mais, capaz de espalhar suas idéias, formadores de opinião. Com um pouco de ser humano (a qualidade de; não a coisa que é), estaremos, em pouco, participando ativamente desta luta.
A vida passa mas o movimento não morre.
4. O cinema americano? Faz sem dúvida tão mal quanto ir a um boteco tomar um chop´s. Dá pra se divertir e pensar em algumas coisas sérias superficialmente. O mal, como na cerveja, não está no objeto (o cinema), mas sim no acompanhamento (calma maíra, não é nada contigo): o ar condicionado, a pipoquinha, os bancos quebrados, o forçar a vista. Assim como o mal da cerveja está sempre na azeitona.
PAZ

1. O felipão, big phill, ainda não saiu, ao contrário do que eu estava imaginando, do comando da seleção brasileira de futebol. Não sei o quanto isso é bom para o futebol brasileiro. Para o amistoso contra o paraguai, ele escalou exatamente a mesma seleção que ganhou a copa. Onde eu quero chegar?
Esse jogo é só um amistoso e não vale nada; já sabemos que vamos ganhar do paraguai. Como eu disse, o jogo não vale nada nada nada. Mantendo o mesmo time, não estamos priorizando aqueles jogadores que ná próxima copa ou nas olimpíadas não poderão jogar? Acho que seria de bom tom começar desde já a testar novos jogadores já visando o futuro; tocando o foda-se se o técnico será o felipão ou não.
2. Vi um vídeo mostrando a argentina, as manifestações, a renúncia, o estado das cidades... Estamos fascinados com isso e queremos igual? Somos classe média e parece que isso não vai atingir a gente, e sim somente ao grosso do povo. Na argentina tem gente de classe média, jaqueta de couro importada, pedindo esmola nas ruas.
3. A realidade é foda. Fosse eu um presidente e cultura hip hop seria obrigatória nas escolas. Um exemplo de resistência e criatividade dos negros e pobres. Mais que isso, uma aula de realidade brasileira. Sugiro escutar Racionais mc´s, assim de letra maiúscula (que eu não costumo usar nos nomes). Porque o movimento mostra que tem sim gente consciente nos lugares mais inóspitos (e daí a demonização dos rappers e breakers e grafiteiros na grande mídia), gente disposta a mostrar o retrato escondido do brasil, a trilogia suja do abc, e, mais, capaz de espalhar suas idéias, formadores de opinião. Com um pouco de ser humano (a qualidade de; não a coisa que é), estaremos, em pouco, participando ativamente desta luta.
A vida passa mas o movimento não morre.
4. O cinema americano? Faz sem dúvida tão mal quanto ir a um boteco tomar um chop´s. Dá pra se divertir e pensar em algumas coisas sérias superficialmente. O mal, como na cerveja, não está no objeto (o cinema), mas sim no acompanhamento (calma maíra, não é nada contigo): o ar condicionado, a pipoquinha, os bancos quebrados, o forçar a vista. Assim como o mal da cerveja está sempre na azeitona.
PAZ
Se eu tivesse lido a proposta domingueira da Maíra antes muita coisa podia estar diferente. Observemos se no próximo domingo minha vida muda radicalmente outra vez
Os velhos anos 80
(Sérgio Rodrigues tem a coluna Mascando Clichê todo domingo no Jornal do Brasil)
Quando li recentemente uma reportagem do New York Times sobre a nova onda retrô da TV americana, senti um misto de satisfação e calafrio. Caramba, eles estavam falando dos anos 80! Pensando bem, é previsível. A cultura pop da década passada não foi beber em fontes setentistas? Pois então: chegou a vez de descobrir como foi maravilhosa aquela época que, na história do Brasil, se espreme entre a abertura política e Fernando Collor. Fiquei satisfeito porque penso nos 80 com um sentimento carinhoso de posse - o sentimento que dedicamos ao tempo em que tínhamos vinte anos, nada de surpreendente nisso - e também porque, com um pouco de sorte, a nova moda devolverá Gloria Gaynor e os Bee Gees ao ostracismo nas festinhas, trocando-os com enorme lucro auditivo por Smiths e Clash.
Quanto ao calafrio, bem, imagino que seja uma reação inevitável quando lhe dizem que suas melhores memórias de juventude, todo o patrimônio afetivo que você acumulou, pô, outro dia mesmo, praticamente ontem, tudo isso já ficou velho o bastante para ser ressuscitado num revival. Para ser, vamos falar cruamente, servido à nova geração numa bandeja como curiosidade histórica, charme de época - exatamente aquilo que me fascinou quando, os 80 mal começando, assisti com divertido fervor antropológico ao Hair de Milos Forman. Até os lapsos de tempo são equivalentes. Mais uma vez, nenhuma surpresa. Sei que em tese eu devia estar preparado, mas confesso que não estava: o efeito foi semelhante ao de ser chamado de tio pela garota Sukita.
Sempre se pode relativizar o dano, ponderar que ser chamado de tio pela garota Sukita é melhor do que ser ignorado pela garota Sukita. Afinal, ela ter lhe dirigido a palavra já é alguma coisa. Quer dizer que o retrô 80 - ainda vago no Brasil mas, a julgar por nosso grau de independência em relação a modas americanas, não por muito tempo - é um atestado de envelhecimento? Claro que é, mas isso pode ser compensado pela revalorização de algumas coisas bacanas que caíram em desuso. Letras inteligentes no rock nacional, por exemplo. Livros do Rubem Fonseca que todo mundo se sentia obrigado a ler. O Circo Voador antes da luta fratricida. O Estação Botafogo antes da megacorporação. O misto de experimentalismo e bom humor que deu na Lira Paulistana. A coleção Encanto Radical da Brasiliense. A Fluminense FM. O Cochrane's das garçonetes Verônica e Tamar. Nem preciso dizer que a lista é pessoal, preciso? A graça é exatamente essa. E quem quiser que faça outra.
Sim, reconheço que me empolguei um pouco. É claro que o New York Times não trazia uma única linha sobre nada disso. Tratava apenas de uma safra de programas de TV inspirados em sucessos americanos dos 80, entre eles The Cosby Show e Hill Street Blues, e lembrava que a atual crise de credibilidade na economia de lá ecoa escândalos da época em Wall Street. Alguém chegou a dizer que um sucesso como Survivor, matriz do No Limite global, reedita o clima de ''competição darwiniana'' do novelão Dallas! Hmm, parece que estão forçando a barra. Além do mais, se ficar decidido que a cara dos 80 é essa aí, retiro tudo o que eu disse.
A certa altura, porém, a repórter Alessandra Stanley acerta numa verdade óbvia e desprezada, chave de todas essas ondas de obsolescência programada que, sopradas por uma combinação de saudosismo e injunções comerciais, varrem periodicamente o pop. ''Muitas pessoas hoje no comando da programação televisiva formaram-se nos anos 80 e acham sua juventude fascinante'', diz ela. Bingo. Isso explica tanta coisa que explica até essa crônica.
mascando@jb.com.br
[04/AGO/2002]
(Sérgio Rodrigues tem a coluna Mascando Clichê todo domingo no Jornal do Brasil)
Quando li recentemente uma reportagem do New York Times sobre a nova onda retrô da TV americana, senti um misto de satisfação e calafrio. Caramba, eles estavam falando dos anos 80! Pensando bem, é previsível. A cultura pop da década passada não foi beber em fontes setentistas? Pois então: chegou a vez de descobrir como foi maravilhosa aquela época que, na história do Brasil, se espreme entre a abertura política e Fernando Collor. Fiquei satisfeito porque penso nos 80 com um sentimento carinhoso de posse - o sentimento que dedicamos ao tempo em que tínhamos vinte anos, nada de surpreendente nisso - e também porque, com um pouco de sorte, a nova moda devolverá Gloria Gaynor e os Bee Gees ao ostracismo nas festinhas, trocando-os com enorme lucro auditivo por Smiths e Clash.
Quanto ao calafrio, bem, imagino que seja uma reação inevitável quando lhe dizem que suas melhores memórias de juventude, todo o patrimônio afetivo que você acumulou, pô, outro dia mesmo, praticamente ontem, tudo isso já ficou velho o bastante para ser ressuscitado num revival. Para ser, vamos falar cruamente, servido à nova geração numa bandeja como curiosidade histórica, charme de época - exatamente aquilo que me fascinou quando, os 80 mal começando, assisti com divertido fervor antropológico ao Hair de Milos Forman. Até os lapsos de tempo são equivalentes. Mais uma vez, nenhuma surpresa. Sei que em tese eu devia estar preparado, mas confesso que não estava: o efeito foi semelhante ao de ser chamado de tio pela garota Sukita.
Sempre se pode relativizar o dano, ponderar que ser chamado de tio pela garota Sukita é melhor do que ser ignorado pela garota Sukita. Afinal, ela ter lhe dirigido a palavra já é alguma coisa. Quer dizer que o retrô 80 - ainda vago no Brasil mas, a julgar por nosso grau de independência em relação a modas americanas, não por muito tempo - é um atestado de envelhecimento? Claro que é, mas isso pode ser compensado pela revalorização de algumas coisas bacanas que caíram em desuso. Letras inteligentes no rock nacional, por exemplo. Livros do Rubem Fonseca que todo mundo se sentia obrigado a ler. O Circo Voador antes da luta fratricida. O Estação Botafogo antes da megacorporação. O misto de experimentalismo e bom humor que deu na Lira Paulistana. A coleção Encanto Radical da Brasiliense. A Fluminense FM. O Cochrane's das garçonetes Verônica e Tamar. Nem preciso dizer que a lista é pessoal, preciso? A graça é exatamente essa. E quem quiser que faça outra.
Sim, reconheço que me empolguei um pouco. É claro que o New York Times não trazia uma única linha sobre nada disso. Tratava apenas de uma safra de programas de TV inspirados em sucessos americanos dos 80, entre eles The Cosby Show e Hill Street Blues, e lembrava que a atual crise de credibilidade na economia de lá ecoa escândalos da época em Wall Street. Alguém chegou a dizer que um sucesso como Survivor, matriz do No Limite global, reedita o clima de ''competição darwiniana'' do novelão Dallas! Hmm, parece que estão forçando a barra. Além do mais, se ficar decidido que a cara dos 80 é essa aí, retiro tudo o que eu disse.
A certa altura, porém, a repórter Alessandra Stanley acerta numa verdade óbvia e desprezada, chave de todas essas ondas de obsolescência programada que, sopradas por uma combinação de saudosismo e injunções comerciais, varrem periodicamente o pop. ''Muitas pessoas hoje no comando da programação televisiva formaram-se nos anos 80 e acham sua juventude fascinante'', diz ela. Bingo. Isso explica tanta coisa que explica até essa crônica.
mascando@jb.com.br
[04/AGO/2002]
Agora que eu já descansei, vou tratar de política novamente. A política brasileira, apesar de seus defeitos, não é algo que se deva ignorar de todo.
Em primeiro lugar, não é verdade que ninguém cumpre nada. Cristovam prometeu fazer a bolsa escola e fez, roriz prometeu fazer a ponte e fez, fernando henrique cardoso prometeu privatizar e cumpriu a promessa. São esses alguns poucos exemplos. E, como se pode perceber, as propostas não são as mesmas. Cada político, segundo sua formação intelectual, possui certas prioridades em termos de políticas públicas.
Também não é verdade que político não tem autonomia. A afirmativa da nossa amiga natalia de que todos possuem o rabo preso tem um pouco de veracidade, afinal todo político tem sua campanha financiada por empresários que, obviamente, cobrarão retribuições de favores. Nossa amiga deve estar se referindo ao fato de que os partidos votam em bloco ( o que me parece muito correto, pois todo partido que mereça ser chamado assim deve ser um grupo de pessoas com ideologias semelhantes ), isso pode criar a impressão de que os políticos não têm autonomia e quem manda é o partido. Ora, quando se diz que quem manda é o partido, parece que este é algo que pensa por si próprio, tem vida biológica ou é algo concreto, etc. Até hoje eu nunca tive a oportunidade de tomar um cafezinho com o PRONA, já até liguei para a casa dele, mas a mãe do PRONA disse que ele tinha ido ao curso de inglês. Na verdade, não é o partido quem manda, mas sim os políticos realmente influentes dentro do partido, como josé dirceu no pt e bornhausen no pfl. E mesmo sendo essas figuras muito respeitadas, ainda ocorrem dissidências. Políticos de peso, como cristovam buarque, continuam tendo sua autonomia, ou será que sua candidatura para o senado foi aceita de bom grado pelo pt-brasília? Obviamente não.
Que não existe político bomzinho que não rouba eu até concordo, mas prefiro votar no que rouba e faz o importante a votar no que rouba o dobro e faz o não-essencial.
Em primeiro lugar, não é verdade que ninguém cumpre nada. Cristovam prometeu fazer a bolsa escola e fez, roriz prometeu fazer a ponte e fez, fernando henrique cardoso prometeu privatizar e cumpriu a promessa. São esses alguns poucos exemplos. E, como se pode perceber, as propostas não são as mesmas. Cada político, segundo sua formação intelectual, possui certas prioridades em termos de políticas públicas.
Também não é verdade que político não tem autonomia. A afirmativa da nossa amiga natalia de que todos possuem o rabo preso tem um pouco de veracidade, afinal todo político tem sua campanha financiada por empresários que, obviamente, cobrarão retribuições de favores. Nossa amiga deve estar se referindo ao fato de que os partidos votam em bloco ( o que me parece muito correto, pois todo partido que mereça ser chamado assim deve ser um grupo de pessoas com ideologias semelhantes ), isso pode criar a impressão de que os políticos não têm autonomia e quem manda é o partido. Ora, quando se diz que quem manda é o partido, parece que este é algo que pensa por si próprio, tem vida biológica ou é algo concreto, etc. Até hoje eu nunca tive a oportunidade de tomar um cafezinho com o PRONA, já até liguei para a casa dele, mas a mãe do PRONA disse que ele tinha ido ao curso de inglês. Na verdade, não é o partido quem manda, mas sim os políticos realmente influentes dentro do partido, como josé dirceu no pt e bornhausen no pfl. E mesmo sendo essas figuras muito respeitadas, ainda ocorrem dissidências. Políticos de peso, como cristovam buarque, continuam tendo sua autonomia, ou será que sua candidatura para o senado foi aceita de bom grado pelo pt-brasília? Obviamente não.
Que não existe político bomzinho que não rouba eu até concordo, mas prefiro votar no que rouba e faz o importante a votar no que rouba o dobro e faz o não-essencial.
Segunda-feira, Agosto 05, 2002
eu acho que encontrei a solução pra tudo isso aí.
vamos fazer jus ao nome do blog!!!
a solução é fazer sexo o dia inteiro, não é trabalho nem estudo nem política nem cinema. só o sexo vai nos libertar!!!!!!!!!!
seja sozinho seja acompanhado! hiihihihhhhihihihiih
p.s.: eu acho que o cristovam não rouba não, e se rouba pelo menos fez a bolsa escola, que acho MUITO importante. e acho que cinema americano é engraçado de tão sem noção. e que os outros cinemas às vezes tb são.... acho que é isso que eu acho, mas não tenho certeza. posso mudar de idéia facilmente.
MAS NA VERDADE NADA DISSO VALE FRENTE AO SEXO
vamos fazer jus ao nome do blog!!!
a solução é fazer sexo o dia inteiro, não é trabalho nem estudo nem política nem cinema. só o sexo vai nos libertar!!!!!!!!!!
seja sozinho seja acompanhado! hiihihihhhhihihihiih
p.s.: eu acho que o cristovam não rouba não, e se rouba pelo menos fez a bolsa escola, que acho MUITO importante. e acho que cinema americano é engraçado de tão sem noção. e que os outros cinemas às vezes tb são.... acho que é isso que eu acho, mas não tenho certeza. posso mudar de idéia facilmente.
MAS NA VERDADE NADA DISSO VALE FRENTE AO SEXO
cansei de política. agora eu quero conversar sobre cultura/saúde. vou lançar um assunto pra dissertações:
o cinema americano faz mal pra saúde? por quê? que atitude devemos tomar?
quem achou o assunto muito batido, que "enfie uma pinça no saco".
o cinema americano faz mal pra saúde? por quê? que atitude devemos tomar?
quem achou o assunto muito batido, que "enfie uma pinça no saco".
bom, todo mundo aki ja deu uma opiniao sobre politica.
minha vez entao.
eu sou alienada em relaçao a politica.
afinal, de que adianta saber a proposta de cada candidato?
se ninguem cumpre nada mesmo.
todos tem as mesmas propostas, so muda a embalagem.
uma coisa q eu acho babaquice, por ex, o cristovam,
pessoas q no geral sao contra o pt votam nele dizendo q ele nao eh tao radical quanto o resto do partido.
ate parece q politico algum tem autonomia.
todos tem o rabo preso,
quem manda mesmo eh o partido.
e outra, todos os politicos roubam.
nao existe politico bonzinho!
q tem pena do pobre!
ja q todos vao roubar mesmo,
entao vote no q rouba mas faz.
( mais alguem vai aderir a campanha do rouba mas faz?)
minha vez entao.
eu sou alienada em relaçao a politica.
afinal, de que adianta saber a proposta de cada candidato?
se ninguem cumpre nada mesmo.
todos tem as mesmas propostas, so muda a embalagem.
uma coisa q eu acho babaquice, por ex, o cristovam,
pessoas q no geral sao contra o pt votam nele dizendo q ele nao eh tao radical quanto o resto do partido.
ate parece q politico algum tem autonomia.
todos tem o rabo preso,
quem manda mesmo eh o partido.
e outra, todos os politicos roubam.
nao existe politico bonzinho!
q tem pena do pobre!
ja q todos vao roubar mesmo,
entao vote no q rouba mas faz.
( mais alguem vai aderir a campanha do rouba mas faz?)
BEM-VINDOS AO SEXOTOTAL!!
linkzinho na figurona abaixo:
Acho que os caras que trabalham na justiça ou em alguma ong entram em algum site de busca, tipo google, e digitam "sexo" e vão ver se nesses sites há alguma coisa "pesada" ou fora da lei.
Será que algum cara desses compra playboy ou alguma publicação do tipo?, ou não precisa?
Eu só queria dizer que nosso blog foi homenageado com a visita desses caras:
Last 10 visitors
1. 4 August 23:39 Comite Gestor da Internet, Brazil
2. 5 August 00:24 Comite Gestor da Internet, Brazil
3. 5 August 00:25 Comite Gestor da Internet, Brazil
4. 5 August 00:28 Comite Gestor da Internet, Brazil
TÔ DE OLHO, VIU?
linkzinho na figurona abaixo:
Acho que os caras que trabalham na justiça ou em alguma ong entram em algum site de busca, tipo google, e digitam "sexo" e vão ver se nesses sites há alguma coisa "pesada" ou fora da lei.
Será que algum cara desses compra playboy ou alguma publicação do tipo?, ou não precisa?
Eu só queria dizer que nosso blog foi homenageado com a visita desses caras:
Last 10 visitors
1. 4 August 23:39 Comite Gestor da Internet, Brazil
2. 5 August 00:24 Comite Gestor da Internet, Brazil
3. 5 August 00:25 Comite Gestor da Internet, Brazil
4. 5 August 00:28 Comite Gestor da Internet, Brazil
TÔ DE OLHO, VIU?
só agora, quando colocamos um contador, que eu tive noção do quanto somos importantes para o mundo: já temos fãs nos estados unidos, na arábia saudita e na indonésia.
obrigado, mundo.
obrigado, mundo.
mundo cão, ops, cadela

Domingo, Agosto 04, 2002
olá, pessoal :)
estava pensando em promover uma coisa: todo domingo a gente se raoni e aluga um filme daquela listinha que pus na caderneta preta. lembram?
hoje mesmo, se vocês quiserem, estou à disposição. pena que não tenho dinheiro, mas posso colaborar com a casa, alguns refris, chazinho, café e água.
me avisem se houver interesse!
beijinhos
má
estava pensando em promover uma coisa: todo domingo a gente se raoni e aluga um filme daquela listinha que pus na caderneta preta. lembram?
hoje mesmo, se vocês quiserem, estou à disposição. pena que não tenho dinheiro, mas posso colaborar com a casa, alguns refris, chazinho, café e água.
me avisem se houver interesse!
beijinhos
má